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Nome: *Bijou*
Idade: 24 invernos nada europeus
In love-metal-gothic-pop'80-publicidade-internerd-música
Mais? Curioso, hã?

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[Friday, May 26, 2006]
Venho informar-lhes que ganhei um hostee da minha queridíssima amiga Anne e que estou de malas prontas pro Love-memory.org! Iuhuuuu! ^^
Portanto, meus amigos, meu endereço agora é http://www.love-memory.org/apocalipsenao/
A partir de hoje só postarei lá, está bem? Confiram como está bem mais charmoso!
Espero vocês por lá, ok? Bjos e inté!
Por *Bijou* às [8:24 AM]
[Friday, May 19, 2006]
Boas Novas!!! Nunca me pareceu tão opressiva a passagem vagarosa do tempo, como agora. Mas ao contrário das pessoas ditas "normais", eu não quero que o tempo pare. Não, pois o tempo há minha volta já parece ter cessado, e me encontro preso em um mundo vazio, onde não há mais ar, não há mais luz, nem sons de vozes ou ao menos uma mísera companhia. É como se o vento tivesse parado de correr e o próprio Deus houvesse desistido e extinguido a si próprio, abandonando para sempre os mortais à sua própria sorte. Os ponteiros de um antigo e ornamentado relógio de parede que por alguma razão conservei junto a mim, já não funcionam há muito, e as teias que se formaram em torno dele estão cada dia mais espessas e brancas. Já não suporto olhar para essas paredes escuras e emboloradas, o pouco de sol que ainda entra pela fresta da janela exposta, o pequeno pedaço de vida que não cobri, agora me perturba mais que um horrendo pesadelo. Com dificuldade encosto meu olho na pequena fresta e vejo o vento encrespando as copas das árvores, o sol iluminando o topo da montanha longínqua, e alguns pássaros em uma distante revoada, denunciando uma vida pulsante lá fora da qual nunca mais farei parte. Às vezes minha mente foge ao meu controle e me pego imaginando como seria se eu tivesse coragem e saísse dessa triste e escura "cripta", nem que fosse ao menos para comprar velas para iluminar esse aposento antiquado e de móveis carcomidos, mas que tem sido meu refúgio durante tantos meses. Agora que me encontro na total escuridão não tenho sequer a companhia dos livros, e da comida guardada só restam migalhas. Quero sair, sentir o beijo da lua sobre minha face novamente, quero encontrar uma bela dama qualquer na Taverna, que virá a mim sorrindo trazer-me vinho... Mas repudio tal pensamento, me torturando ao pensar na reação que poderia causar nas ruas essa monstruosidade ao qual me tornei... Tenho que sair, preciso sair!.. Essas paredes estão encolhendo, elas irão me esmagar a qualquer momento, eu sei!.. Oh Deus, o que estou dizendo? Não posso sair, não posso! Como disfarçaria esse corpo deformado pela fúria de mil demônios, que manto cobriria essas chagas terríveis que se espalham pelo meu corpo com a velocidade de uma revoada de corvos infernais? Que milagre esconderia essa maldição pustulenta que destrói a minha figura e consome minha alma enegrecida, transfigurando tudo que me é caro em ódio e sofrimento? Que dias infinitos ainda terei de sobreviver nessa horrível condição? Quisera eu jamais ter feito aquela viajem... Quisera eu jamais ter pisado naquele vilarejo... Maldito seja o dia em que meu destino cruzou o destino daquela escória, aquelas pessoas inúteis, aquela "gentinha" inferior, argh... Malditos sejam todos, abutres do inferno! Se pudesse fazê-los sofrer a força do ódio que queima dentro de mim, como queima essa praga que consome minhas vísceras, ao menos teria algum consolo para aplacar tão trágica dor... Eu apenas fiz o que qualquer investidor com tino comercial e ousadia faria... Minhas indústrias levariam o mundo civilizado àquela região. Aquele pedaço condenado de chão não precisava de um povo inútil e supersticioso, mas sim de máquinas, dinheiro, progresso! Mas aquela corja infeliz ousou desafiar minha autoridade, como se ao menos gente fossem! Não fazem idéia do quão difícil é chegar ao topo, não imaginam o quanto investi para chegar àquelas terras desgraçadas, não sabem quanto tempo perdi nessa empreitada, e vieram atravessar meu caminho com sua ridícula insolência apenas por estarem lá primeiro!.. Baboseira! Tolice! Deveria ter matado a todos, ao invés de simplesmente expulsá-los de lá, vermes inúteis, cães infelizes! Principalmente aquele trapo de mulher que ousou desafiar-me... Ah, se não fosse por aquela maldita certamente eu não estaria vivendo esse pesadelo em vida... Aquela rameira lançou-me pedras e confrontou-me de todas as formas, chegando ao cúmulo de cuspir-me a face! Tirou-me do sério, portanto tudo que fiz foi mostrar-lhe que não se brinca com gente como eu. Usei seu corpo feio e mirrado à força, e depois mandei um de meus homens dar um fim em sua vidinha medíocre. Seu corpo sem vida ficou jazendo uma noite inteira no centro do vilarejo, para deixar claro de uma vez por todas que era eu quem estava no comando. Isso é claro acabou por insuflar ainda mais a ira daquela gente, levando-os a praticar essa "feitiçaria", esse "vodu", não sei como chamar... Essa maldição horrenda que lançaram sobre mim, que inicialmente não acreditei, apesar dos boatos deles serem praticantes de alguma espécie de magia, de terem demônios a seus serviços... Nem mesmo as fezes e o aviso sangrento na minha porta me intimidaram. Eu simplesmente não acreditava! Até que comecei a sofrer em minha própria carne seus terríveis efeitos... Não demorou a acontecer. Febres, vômitos, dores incômodas, rapidamente evoluíram para dores lancinantes e inexplicáveis queimaduras pelo corpo inteiro. Nódulos cresciam por todos os lados, estava me tornando uma figura cada vez mais repugnante. O último amigo que havia me restado levou-me em seu coche em uma longa viagem, e como última caridade antes de desaparecer sem deixar notícias cedeu-me essa sua minúscula moradia abandonada para esconder-me e viver o resto de minha condenada sobrevida. Hoje em nada lembro o que outrora fui, mas vejo meu corpo transfigurado em uma enorme massa amorfa e fétida, inchando cada dia mais e mais suas pústulas dolorosas que me cobrem por completo até sentir meu próprio rosto praticamente "engolido" por essa imprecação satânica. Agora os dias se arrastam e espero impaciente minha própria morte. Mas antes quero fazer algo, e se minha covardia impediu-me o suicídio, é o desejo de vingança que me move atualmente. Voltarei para o Vilarejo. Não morrerei aqui enclausurado, de fome e desgosto. Irei para o inferno como o demônio apodrecido que sou, mas suas almas virão comigo! ...
Finalmente estou de volta ao meu queridíssimo blog! Tanto tempo sem postar aqui... Nossa, como estou com saudades!
Como vocês podem ver, estou de layout novo, comemorando minha fase atual de total elevação do sentimento de liberdade!
E como livre que estou, não pretendo nunca mais deixar meu blog amíngua, e vocês sem notícias. E por falar em notícias...
Olhem ao lado: Estão vendo esse lindo selinho? É do meu Condomínio, que eu acabei de abrir! Convido todos a dar um pulinho por lá e aproveitem para se inscrever. O end. é www.condominiovultosnoturnos.blogspot.com
Espero vê-los por lá!
Ah, e a grande notícia da semana... Ganhei o Concurso de contos do Gothic Castle! Tô super feliz! Tá aqui o link (http://www.gothiccastle.net/) podem ir conferir com seus próprios olhinhos! ^^
Abaixo postarei o conto, para que todos leiam. Divirtam-se e até breve!
É alta madrugada. Finalmente terminei o "serviço" neste lugar amaldiçoado. Agora que estou aqui de pé, olhando pra esses pobres casebres apinhados ardendo em chamas e esse amontoado de corpos derretendo por todos os lados, muitas coisas passam pela minha cabeça. Um sorriso se desenha em meu arremedo de lábio ao lembrar-me do desespero em suas faces, vendo a mim, o demônio que julgavam morto, renascer do inferno em busca de vingança. Suas rostos retorcidos destilando ódio enquanto imploravam misericórdia parecem ainda refletir em meu olhar e seus gritos de horror e fúria ainda ecoam pela mata sinistra. Os vários dias que caminhei escondido em mantos negros, por essa floresta sombria me trazem agora o alívio da espera recompensada. Todas as dores desses dias de caminhada soturna, toda a angústia e a ansiedade por fim cessaram, e finalmente entendo que não há mais nada pelo que esperar. Pé ante pé vou imergindo entre as chamas revoltas, seus picos crepitando na noite infinda. Sinto uma dor indescritível, mas isso já não importa. O cheiro de pele queimando, o sangue escorrendo pelos tumores que estouram fervendo em dolorosa agonia purulenta, esse espetáculo de horror e morte me consome rapidamente, no entanto, sinto-me feliz por morrer assim, é quase como uma "subvertida redenção", fundindo meu ser ao dessas labaredas infernais. Essa será o meu sepulcro e logo serei somente pó, essência de nada, apenas o desejado silêncio.
Por *Bijou* às [1:25 PM]
[Tuesday, February 21, 2006]
Eu, Bijou, assumo o compromisso hoje, diante de todos vocês que visitam esse blog, e deixo aqui devidamente registrado na Internet pra quem quiser ver (isso serve para os Et's que vão estar lendo isso daqui a 3127 anos, a fim de pesquisar os pensamentos e hábitos de consumo de nós, humanos) que eu ainda vou assistir um show do U2, nem que eu tenha que mover céus e terras, nem que eu tenha que catar os ômi lá na Irlanda, eles ainda vão tocar pra mim! Ah, se vão!
Tudo começou quando eu, uma menina com o roquenrôu nas veias e no auge de meus hormônios adolescentes enlouquecidos, quis ir a São Paulo assistir ao show de meus maiores ídolos. Eu estava obcecada: Passava o dia inteiro com o ouvido colado no radinho AM/FM esperando que as estações tocassem as músicas do U2, que, aliás, tocavam constantemente por conta da expectativa de todos pelo evento.
Eu comprava todas as publicações que saíam sobre eles, todos os CDs que podia, camisetas, etc. Não era fácil, pois eu, uma típica brasileira sem recursos decentes, não ganhava mesada, não tinha dinheiro nem pro fliperama, quiçá pra um CD internacional! Foram semanas indo a pé pro colégio e deixando de lanchar, juntando suadas moedinhas pra suprir minhas necessidades compulsivo-consumistas de fã.
O fato é que eu tentei de tudo: Liguei inúmeras vezes pras rádios, mandei cartas pra MTV, fiz o diabo-a-quatro, tentei todas as promoções do tipo: "faça sei-lá-o-quê e ganhe ingressos pro show do U2!", mas não teve jeito. Nem com reza-brava.
Passaram-se oito anos...
E a menina continua a acalentar o sonho. Mesmo não sendo mais adolescente, seu coração permanece guardando o mesmo desejo, que nenhum passar do tempo será capaz de destruir!
(Eu sei, é emocionante!..)
Ontem eles tocaram em São Paulo e eu os vi pela TV. Mais uma vez meu coração apertou, pois só Deus sabe como desejava ardentemente estar lá... Mas tudo bem. Essa foi a última vez que perdi um show do U2. Da próxima eles não me escapam! Pro caso de eu não estar trabalhando e não ter dinheiro guardado, já bolei uns planos pra não perder o show novamente. E pra isso...
PLANOS "Bs" - Estratégias quase-que-militares pra ver o U2:
1° - Virar hippie, aprender a fazer bijuterias de sementes brasileiras, juntar dinheiro pro ingresso vendendo colares em tons terra e ir até São Paulo a pé, numa espécie de peregrinação pela filosofia do paz e amor e pela grande variedade de cores das alpargatas Havaianas.
2° - Entrar pro Exército, pedir transferência pra São Paulo, pagar o show com o dinheiro da transferência e depois desertar, subornando os guardas nas fronteiras e fugindo pra Nicarágua.
3° - Aprender a mexer em sites, inventar uma idéia genial como a daqueles caras que ameaçavam cozinhar um coelhinho caso não faturassem uma grana, ganhar dinheiro dos bestas de coração mole e ir confortavelmente de Varig, pro show em Sampa.
Depois eu penso em outras idéias. Terei bastante tempo pra arquitetar meus planos. Mas se vocês quiserem participar da campanha "Bijou no U2" é só deixar um comentário com e-mail e pedir o número da minha conta bancária.
Participe!
Por *Bijou* às [5:05 PM]
[Monday, January 16, 2006]
Dia 1° de janeiro já está lá: a Globeleza pelada (aliás, perdoem-me, com um confete como tapa-sexo) dançando em cima do pandeiro computadorizado, com outros efeitos especiais infames e dezenas de serpentinas caindo sobre ela... (brega!...)
Daí vem o jingle da emissora, especialmente preparado para você lembrar que só ela te fornece com exclusividade a melhor cobertura do carnaval, pra você não perder nenhum ângulo do desfile, nem da frente, nem da retaguarda (com o perdão do trocadilho).
E, claro, uma infinidade de escolas entoando seus samba-enredos com belas mulatas, grandes sambistas e a bateria afiada! Uhuuu!!!
Olha, não é que eu não respeite as manifestações populares, mas... Para e pensa: É ou não é ultra-brega? Aqueles desfiles totalmente ai-meu-Deus-do-céu, com uns carros alegóricos do tamanho das naves do Star Wars, cheios de luzes, de brilhos, de néon... Com um monte de mulher pelada se sacudindo freneticamente, uns enfeites pra lá de duvidosos, uns gays vestidos de pavão (mas não qualquer pavão, o pavão imperador do universo), as alas das baianas que só rodopiam, rodopiam... Aquelas fantasias mirabolantes, as cores berrantes, a Luma de Oliveira...
Mas de todos os clichês carnavalescos, os sambas-enredo é o que tem de mais impagável! É sempre a mesma coisa: um tema chato e exagerado, uma letra nonsense, fantasias únicas e uma performance nada a ver! Tipo assim:
Tema: A contribuição da teoria molecular para o estudo da ciência, dentro de uma perspectiva pseudo-econômico-científica.
Letra (em ritmo de samba-enredo): "Olha aí... São as ciências naturais!.. Olha aí... o que a molécula nos traz!.. Um monte de átomos meu amor... pra gente se emocionar... ("Que lindo!") Vem... Com a Unidos do sei-lá-o-quê... Vem nessa folia com o átomo... Por que eu sou verde e azul e rosa-choque!.. ("Olha o átomo aí, gente!")
Fantasias: Pra "combinar" com o enredo, uma avalanche de pessoas vestidas de cadeias moleculares, um monte de gente pelada pra representar... Sei lá, qualquer desculpa serve... As células-mortas, pronto. E um destaque no alto do carro-alegórico vestido de complexo de Golgi...
Performance: Sorriso no rosto, pernas totalmente epiléticas e fora de controle e muitos e muitos closes "bundíticos".
E dá-lhe samba no pé!
Por *Bijou* às [5:20 PM]
[Tuesday, January 10, 2006]
Você já se perguntou quem é que seleciona as músicas que embalam as suas compras nos supermercados? Nunca estranhou que, aonde quer que vá, não importa o estabelecimento, todos tocam músicas bregas, antigas e tristes, ou seja, músicas que NINGUÉM gosta? Pois eu tenho uma teoria: deve existir um emprego de "carrasco de supermercado" (mas não leva esse nome, é claro! Isso é para os bastidores, entende?). Esse sujeito deve ser entrevistado com perguntas, como: "Qual é a música mais triste do mundo, pra você?" ou "Diga o nome de uma música que te lembra sua mãe que já morreu, ou sua namorada que te largou". Daí faz-se uma compilação de exemplares do arco da velha, e de fazer Sadam Hussein chorar, e eles (os djs carrascos de mercado) põem pra tocar, enquanto você faz suas compras. Assim, há medida que você joga seus cacarecos no carrinho, vai ouvindo aquela ladainha e vai ficando deprimido(a). Começa a lembrar de todas as agruras que já passou na vida, de todos os momentos que já pisaram no seu calo, de todas as vezes que já se sentiu um merda, e sai comprando chocolates, lenços de papel, o diabo-a-quatro, tudo que encontrar pela frente de supérfluos e inutilidades, tentando em vão sufocar seu sofrimento através do consumo. E enquanto isso eu imagino o dono do supermercado (um vilão digno de dramalhão mexicano, com direito à tapa-olho e tudo!) sentado no seu escritório, com as pernas em cima da mesa, fumando charuto, bebendo uísque, alisando a careca e rindo horrores, enquanto solta gases e pensa na grana que está faturando em cima dos infelizes de plantão.
Sim, minha gente. Esse é o plano maligno.
Por *Bijou* às [12:22 PM]
[Saturday, December 24, 2005]
Oba!!! Daqui a pouquinho é natal!!!
(Rufam os tambores)
Comida! Comida! Comida!
(grita a horda em polvorosa)
Presentes! Presentes!
("hip hip hurra!!!")
Que festa! Todas as luzes, o clima... É tudo tão bonito... Já notaram que sempre aparece um rabugento reclamando da conta de luz dos enfeites da cidade?.. Ai ai... Falta de espírito natalino, pô! É aniversário de Jesus! Eu quero ao menos no Natal poder andar pela minha cidade cinzenta e vê-la toda iluminada, com papais noéis em cima dos telhados, sinos e cortinas de lampadazinhas adornando as janelas e muitos pisca-piscas, num verdadeiro festival de luzes e breguice bem-intencionada!
A Ceia então? Nham nham! Não vejo melhor maneira de comemorar o dia 25 do que um belo rega-bofe, uma orgia culinária pra gente socar comida até ficar triste! (E uma ressaca posterior, no caso de alguns).
E os presentes? Quem não adora ganhar um mimo, que atire a primeira pedra! Nada de discursos intelectualóides pseudo anti-capitalistas, a gente quer mesmo é faturar os bens materiais! Quer deleite maior do que rasgar os papéis dos presentes à meia-noite, depois de esperar com tanta ansiedade a hora bem-vinda? Tudo bem, tudo bem... É fato que a maioria das pessoas normais nunca ganham o que elas realmente querem, mas... Veja pelo lado bom: ganhar meia é legal, vai deixar seus pés quentinhos! Você pode aproveitar aquele vestido laranja-bombeiro num teatro pro colégio... Talvez um dia você agradeça ter ganho aquela gravata borboleta e quem sabe se no futuro você não vai acabar precisando de um boné do Eminem?..
Ah, o Natal... Sempre tem aquele salpicão que azeda, aquela tia que fica se sentindo culpada por não ter ido à missa, aquele sobrinho que quebra um presente seu (justo quando você acabou de ganhar e nem teve ainda a chance de usar), as doses cavalares de jingle bells... Mas o importante é estar com a família, todo mundo reunido, se empanturrando e comemorando juntos o verdadeiro espírito do Natal:
Rabanadas.
[Monday, November 28, 2005]
Sabem a cantora Maria Rita?
A filha da Elis, isso mesmo. A própria.
Já ouviram falar de algo chamado jabá?
Pois é...
Estava eu outro dia folheando uma revista quando me deparo com uma notícia no mínimo curiosa. A cantora Maria Rita, a grande revelação da música brasileira, praticamente a reencarnação da mãe, estaria se valendo do famoso jabá pra continuar deslanchando em sua carreira. O jabá, pra quem não sabe, é uma espécie de "presentinho" dado pela gravadora às pessoas do ramo para garantir uma forcinha básica à carreira de alguém, ou seja, alguns chefes de emissoras, radialistas, jornalistas, colunistas, etc, ganham jabá para "falarem bem" do novo CD do artista, elogiar, tocar as músicas à exaustão... O presente da gravadora da Maria Rita? Um Ipod, aquele aparelhinho que toca MP3, sonho de consumo de qualquer mortal que goste de música.
O engraçado da estória é que segundo fontes (o próprio jornalista que escreveu essa matéria, só pra citar uma) disse que o tal CD é bastante ruim, mas curiosamente praticamente todo mundo que recebeu seu Ipod se derramou em elogios na imprensa...
O cara até brincou, disse que a Maria Rita estava Ipodendo!
Essas notícias me fazem rir um bocado... Quanto mais eu percebo como as coisas funcionam na real, mais eu entendo a cabeça das pessoas... E vejo como somos todos um bando de manipulados.
Você vai lá naquele jornalzão cheio de moral, lê lá que tal artista é o que há (e ai de quem discordar), compra o CD do dito-cujo, ouve e acha uma merda e ainda por cima fica se sentindo um ignorante, achando que você é que não conseguiu alcançar a "complexidade" da parada!
E mal sabe você que por trás de toda aquele discursozinho cult existe uma indústria maquiavélica, ambiciosa e estéril, que trata o público como uma massa descerebrada (porém indinheirada!) e o artista como papel higiênico: Simplesmente descartável, anulando sua criatividade, aniquilando sua individualidade, moldando-o como um produto de curta validade e o vendendo como artigo de luxo, "aquisição obrigatória", para tão logo substitui-lo por alguma novidade, ainda mais "interessante", ainda mais "necessária". E a gente vai lá, seduzidos pelo apelo comercial, consumir os modismos, perpetuar a receita da ignorância.
Por *Bijou* às [6:17 PM]